Problemas mais comuns inerentes ao ensino da Maldição.

Quero tecer aqui algumas considerações referente aos problemas mais comuns desse ensinamento:

1)   O problema da experiência: Quando conversei com algumas pessoas e ouvi outras, elas sempre se valem ao contexto das experiências e citam vários casos. Como vemos isso?

Quando estudamos a doutrina cristã, um dos assuntos que, primeiramente deve ser encarado é a fonte da qual extrairemos nosso conhecimento.  Existem várias abordagens: Teologia natural, Tradição, Experiência e Escrituras. Aqueles que se decidem pelas Escrituras tomam-nas “como o documento definidor ou a constituição da fé cristã”.  Ela é a regra de fé e prática.  Esta é a atitude tomada no meio ortodoxo. Aqueles que optam pela experiência religiosa (pragmáticos), consideram que ela provê informações divinas autorizadas.  Esta última posição é extremamente perigosa. O Apóstolo Paulo nos advertiu:

 “ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos anunciamos, seja anátema” (Gl 1:8).

Note que a autoridade é o Evangelho e não a experiência.  Para Paulo, a verdade é absoluta, e mesmo que experiências queiram provar ao contrário, consideremos tal coisa anátema. É extremamente perigoso respaldarmos nossas convicções, conceitos e doutrinas em experiências, por que as experiências são relativas. Não podemos usar métodos apenas porque funcionam, devemos usar métodos se são bíblicos.  Não devemos crer que tal coisa é de Deus apenas porque funciona, devemos crer porque possui respaldo bíblico.

2)   Transferência de culpa.

Aqui temos outro problema. Um problema antigo ressurge em meio ao ensino. Alguém recebe uma explicação, após preencher um vasto questionário (eu mesmo tenho a cópia de um deles), que a causa de ser o que é, reside no seu ancestral, ou seja, seu bisavô era assim. Desse modo, ele sai do gabinete e vai para casa com a consciência mais tranquila, pois lhe disseram que a compulsão sexual que carregava em si mesmo era herdada do seu bisavô. Após várias pesquisas e informações chegou-se a conclusão que isto era um problema de hereditariedade. Assim, para resolver a situação, deveria quebrar aquela “maldição” em nome de Jesus, e ele estaria liberto e não traria mais problemas para sua esposa e filhos.

3)   Atalhos.

Com isto apresentamos às pessoas caminhos curtos, sem dor e sem sofrimento. Basta um seminário de final de semana, para, quem sabe, resolver o problema. Vamos nos reunir, nos arrepender, pedir perdão, quebrar toda maldição na ascendência da 3ª ou 4ª geração (tenho notícias que há ministérios que estão quebrando até a 50ª) e tudo estará resolvido. Infantilmente acreditamos que bastam alguns momentos de êxtase espiritual para subirmos os penosos degraus da maturidade cristã.  E, como disse, aparentemente tudo realmente foi resolvido, mas com o passar dos dias se descobre que o problema continua. E aí surge outro; no dizer do pastor Glênio Paranaguá: “após a azia, apostasia”, ou seja, o irmão que não conseguiu a solução começa descrer e se afasta do evangelho. Conheço casos assim. A cura está contida na Palavra de Deus, no entanto o homem é responsável pelos seus atos e o cristão deve aprender que a sua natureza terrena (o caso do irmão com compulsão sexual) deve morrer. Alguém poderia, em contraposição, dizer que existe em espírito maligno atuando naquela pessoa. A Bíblia chama isso de obras da carne e ainda que pudesse existir uma influência maligna, o Espírito Santo nos manda resistir e, como resultado, o diabo fugirá de nós.

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