De onde procedem guerras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne? (Tiago 4:1).

Ao analisar o livro de Tiago em seus capítulos, seções e versículos, procuro faze-lo buscando o contexto histórico, literário e social que envolvia o autor e seus leitores. Por esta razão, ao iniciar o capítulo quatro, precisamos compreender que a igreja primitiva, tal qual a igreja de todos os tempos, não somente convivia dentro de uma esfera de amor, mas também de conflitos e contendas entre os irmãos. Pelo que vemos nas Escrituras, a situação vivida sob o controle do Espírito Santo em Jerusalém, onde “a multidão dos que creram era um o coração e a alma; e ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum” (Atos 4:31), deu lugar a conflitos e dissensões entre os cristãos. A mudança se produziu em poucos anos. Estas coisas aconteciam nas congregações estabelecidas no mundo judeu, como também entre as igrejas do mundo gentio. Como exemplo disso, podemos observar o apóstolo Paulo escrevendo à igreja de Corinto: “Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer. Pois a vosso respeito, meus irmãos, fui informado, pelos da casa de Cloe, de que há contendas entre vós” (1 Coríntios 1:10-11). Nas comunidades cristãs, a quem Tiago dirigiu a sua carta, se pode ver claramente que havia sido introduzida a falsa sabedoria que, sendo demoníaca, produzia inveja amargurada e sentimento faccioso (Tiago 3:14).

Para despertá-los, Tiago lhes faz uma pergunta retórica, recurso que vem utilizando na sua carta. Novamente, a pergunta exige uma resposta do leitor: “De onde procedem guerras e contendas que há entre vós?” (Versículo 1a). A ideia, segundo os linguistas, não é de um conflito ocasional, mas de uma contenta frequente. Então, para resumir, o significado prático é que na igreja havia um estado de confrontação e de contenda contínua entre os irmãos. Com a pergunta no início do texto, o autor convida-os a uma reflexão sobre as causas que estavam originando o conflito interno. Os cristãos, em vez de trabalharem na edificação de suas vidas, estavam se enfrentando uns aos outros. A gravidade da situação, além das contendas entre eles, está no fato de que isto não acontecia entre os mundanos, mas entre os que professavam o nome de Jesus como seu Salvador: “entre vós”. A forma de vida que Tiago descreve, parece corresponder melhor aos ímpios do que aos cristãos.

Momento de Reflexão: O que se descobre ao ler a pergunta de Tiago, deveria causar surpresa entre nós, quase vinte séculos depois. Deveria, mas parece que o autor está dirigindo a sua carta à igreja dos nossos dias. Quantas disputas e contentas não vemos no seio da igreja? Não sei nada sobre o seu coração, mas não é hora de refletirmos sobre as nossas condutas? Estamos pautando a nossa vida pela Palavra de Deus? Estamos sendo dirigidos pelo Espírito? Pense sobre o assunto. Continuamos na próxima publicação.

Em Cristo Jesus,

Pr. Natanael Gonçalves