Donde vêm as guerras e pelejas entre vós? Porventura, não vêm disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam? (Tiago 4:1).

Tiago traz à tona a procedência dos conflitos utilizando o recurso de sempre, isto é, uma nova pergunta retórica: Porventura, não vêm disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam? O autor diz que a origem estava nos deleites (prazeres) pessoais de cada cristão daquela comunidade. A palavra que ele usou para deleite é hedone a qual possui a mesma raiz de hedonismo, a doutrina que declara o prazer como fim supremo na vida. Esse é o prazer pessoal pernicioso que reside na velha natureza humana. Se você pesquisar, verá que o termo aparece cinco vezes no Novo Testamento. Em Lucas 8:14, encontramo-lo na parábola do semeador onde é usado no sentido de sufocar a ação da semente (Palavra). Jesus demonstra que, quando a semente cai entre os espinhos que são os prazeres da vida, estes a impedem de frutificar. Paulo também o usa em Tito 3:3, para referir-se a situação própria do homem perdido. Em 2 Pedro 2:13, o apóstolo o utiliza para descrever aspectos da vida dos falsos mestres. Por fim, o encontramos novamente no texto acima e também no versículo três do mesmo capítulo que estamos estudando. Tiago afirma que a busca desses prazeres gera conflitos pontuais que se manifestam entre os cristãos. Para o autor, não se trata de um conflito esporádico, mas algo que se produz de forma habitual. As paixões íntimas e os interesses espúrios suscitam uma hostilidade continuada.

O problema se manifesta em vossos membros. Em Tiago 3:14, o autor já havia falado sobre a situação íntima saturada de amarga inveja e sentimento faccioso, e também do falar influenciado pelo inferno em Tiago 3:6. Os membros do corpo estão a serviço daquilo que pode encher o coração da pessoa e, por isso, vemos Jesus afirmar: …a boca fala do que está cheio o coração (Lucas 6:45). Os membros controlados pela carne se põem a serviço do pecado e não da justiça e, desta forma, ouvimos Paulo dizer aos romanos: Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências; nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniquidade (Romanos 6:12-13a). Se você é um cristão, pense bem: o fato do velho homem ter sido crucificado com Cristo, produziu uma nova situação, ou seja, o pecado já não pode mais exercer a tirania da escravidão na vida do servo de Deus. O elemento expressivo da condição pecaminosa era o corpo de quem havia sido escravo do pecado e da morte. Todavia, nessa nova condição proporcionada pela fé em Jesus, o corpo passou a ser expressão de uma nova vida em Cristo. Na existência de um homem que não confessou a Jesus como seu Salvador, a velha natureza ativa os desejos que são próprios dela e, portanto, como agente do pecado busca a satisfação. O cristão, no entanto, ainda carrega no corpo a velha natureza e, muitas vezes, ela o tenta com seduções pertinentes para voltar ao seu estado anterior. Não obstante, cabe a ele resistir por meio da graça que lhe foi dada. Devemos lembrar que Tiago ensina que as quedas do cristão não se devem a tentações diabólicas, mas à própria natureza caída que nele habita (Tiago 1:13-15).

Finalizando, observo que o cristão verdadeiro se identificou com Cristo na sua morte, e, assim sendo, as suas paixões também foram crucificadas: E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências (Gálatas 5:24).

Momento de Reflexão: O assunto é de tamanha importância que não termina aqui. Ainda continuamos a tratar desse assunto na próxima publicação. No entanto, devemos ter muito claro em nossa mente e coração que a vida do cristão deve ser, neste mundo, a expressão da vida de Cristo. A nova vida produz um novo caráter e, como consequência, uma nova atitude. Se você é um cristão comprometido, Colossenses 3:5, é uma realidade diária em sua vida?

Em Cristo, o Deus de toda a glória,

Pr. Natanael Gonçalves