Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará (Tiago 4:10).

Ao terminar o parágrafo de exortação, Tiago faz um chamado à humildade. Essa convocação dita em outras palavras, já que ela envolve urgência, seria mais ou menos assim: é urgente que se humilhem de forma absoluta e definitiva, diante de Deus. O motivo é óbvio, pois, antes, havia dito: Deus resiste aos soberbos, dá, porém, graça aos humildes (Tiago 4:6); portanto, não há outro caminho para alcançar as bênçãos, senão humilhando-se na presença do Senhor. Somente assim é que se pode restaurar uma situação onde há necessidade de arrependimento, o qual é impossível sem a humildade. É preciso entender claramente, pois o Altíssimo, o Santo Deus, o Deus que vive para sempre, diz: “Eu moro num lugar alto e sagrado, mas moro também com os humildes e os aflitos, para dar esperança aos humildes e aos aflitos, novas forças (Isaías 57:15 NTLH). Compreendendo tal chamado, o cristão verdadeiro deve assumir essa condição de humildade diante do Senhor. Destaco, todavia, que a humildade não é “diante dos homens” a quem se pode enganar com hipocrisia, mas “diante do Senhor” que conhece os corações.

O resultado da humilhação será a exaltação. O supremo exemplo está em Cristo que, depois de humilhar-se até a morte e morte de cruz, foi exaltado soberanamente (Filipenses 2:6-11). A atitude de humilhação é imediata, a exaltação, porém, será algo no futuro. O verbo exaltar carrega o sentido de levantar, elevar às alturas. Assim sendo, o contrito que está no vale de lágrimas, na humilhação, Deus o levantará, levando-o a lugares altos. Este é o ensino geral das Escrituras (Ezequiel 21:26; Mateus 23:12; 1 Pedro 5:6). Por outro lado, é útil saber que a humilhação possui um aspecto horizontal, nascido de outro que é vertical. Explico: Quem é humilde diante de Deus, também o será com os irmãos (Filipenses 2:3; Romanos 12:10; 1 Pedro 5:5).

Mas, quando acontecerá a exaltação? Todos nós gostaríamos que, após a confissão e a humilhação, de pronto seguisse a exaltação. Não obstante, ela não acontece em nosso tempo, mas no tempo de Deus, conforme ensina o apóstolo Pedro: Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que, a seu tempo, vos exalte (1 Pedro 5:6). O tempo de Deus é perfeito e Ele certamente fará, conforme a Sua promessa. Deste modo, o chamado à humilhação, deve ter como resposta a obediência imediata. No entanto, a exaltação, ou o retorno das bênçãos, ocorrerá no momento determinado por Deus.

Em resumo, a necessidade urgente que Tiago destaca no verso dez, é a atitude do cristão de se humilhar diante de Deus buscando sua presença, em arrependimento. Trata-se do verdadeiro exercício da fé que se entrega, incondicionalmente, a Deus. Não é a manifestação visível de uma fé aparente, mas a manifestação silenciosa de um coração que retorna ao Pai buscando suas bênçãos e sua provisão. Trata-se também de uma ação feita “diante do Senhor” que conhece a sinceridade do coração. Igualmente, quem assim procede, reconhece a Sua soberania, tão questionada em reuniões onde a condução do Espírito não se manifesta. Por fim, a verdadeira humildade é aquela que, sentindo na alma a profunda miséria da situação produzida pelo orgulho, recorre com desespero ao Senhor, buscando a restauração (Lucas 18:13).

Momento de Reflexão: O texto fala de humilhação. Quantos se curvam verdadeiramente diante de Deus?  Muitos, nos dias de hoje, se recusam de maneira silenciosa a fazer a vontade do Pai, e isto, de certa forma, revela a arrogância e soberba. Precisamos urgentemente retornar a Deus com um coração sincero e nos humilharmos em Sua presença. Quem está disposto?

Em Cristo Jesus,

Pr. Natanael Gonçalves