De uma só boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não é conveniente que estas coisas sejam assim. Acaso, pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso? Acaso, meus irmãos, pode a figueira produzir azeitonas ou a videira, figos? Tampouco fonte de água salgada pode dar água doce (Tiago 3:10-12).

A disparidade é absoluta quando, de um mesmo lugar, isto é, de uma mesma fonte de origem, saem bênção e maldição. Duas coisas contrárias e absolutamente contrapostas surgem de um mesmo lugar. Os mestres judeus ensinavam que o amor era devido somente aos amigos e, quanto àqueles que eram considerados como inimigos, simplesmente os aborreciam e não mostravam nenhuma simpatia para eles. Uma parte das pessoas que integrava a igreja, recebera essa grave influência. No entanto, não se podia esquecer do ensino de Cristo: “Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mateus 5:44). As palavras de Jesus soavam como algo surpreendente e também impactante, posto que contradizia o ensinamento tradicional. O Senhor não somente estabelecia o mandamento de amar, mas especificava também quem era o objeto do amor. O cristão verdadeiro ama e demonstra esse amor quando injuriado, pois, em vez de devolver a injuria recebida, devolve bênção. Quem vive em Cristo, não amaldiçoa, mas abençoa o seu próximo.

O autor continua usando ilustrações para poder cimentar o ensino, e, sendo assim, ele introduz uma pergunta retórica que exige uma resposta negativa. A metáfora da fonte carrega a ideia de um manancial que jorra água continuamente. A ideia não reside no fato de que a fonte jorre simultaneamente água doce e amarga ao mesmo tempo, mas que de um mesmo manancial, brote em certos momentos água doce e, em outros, água amarga. A aplicação é fácil: se de uma mesma fonte não é possível jorrar água doce e amarga, tampouco da boca de quem professa ser cristão deveria sair, às vezes, bênçãos e às vezes, maldição.

Novamente e de igual modo, Tiago constrói uma outra frase fazendo alusão à figueira e à videira. A pergunta, como a anterior, exige uma resposta negativa, já que Deus havia estabelecido que cada árvore daria seu fruto segundo a sua espécie (Gênesis 1:11-12). Construindo uma relação com a figura de linguagem, o autor demonstra a impossibilidade de o cristão maldizer, posto que Deus nunca determinou isto para ele. Maldizer o próximo é o contrário do que foi estabelecido: “Amarás a teu próximo como a ti mesmo” (Tiago 2:8).

Para se ter uma compreensão mais profunda, precisamos voltar os nossos olhos para os ensinos de Cristo: Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? (Mateus 7:16). As palavras de Jesus, relativas a quem se diz cristão e não o é, nos conduzem a uma observação mais rigorosa. A distinção se manifesta claramente no modo de vida pessoal. Quem fala mal de seus irmãos não possui uma relação estreita com o Salvador ou, em outras palavras, não nasceu de novo. Por que essa advertência? Para responder precisamos ler 1 João 3.14: “Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte”. Aqueles que bendizem a Deus, mas também amaldiçoam os homens com a suas bocas, estão manifestando a condição espiritual de seus corações. Esses possuem uma aparência de piedade, mas negam a eficácia dela (Tiago 3:5).

Tiago, ao tomar o exemplo do fruto das árvores, reforça a ilustração da fonte que jorra, e, tais exemplos, deixam claro de que a língua do cristão deve estar ocupada com aquilo para a qual foi chamada, isto é, abençoar e não maldizer (Romanos 12:14; 1 Pedro 3:9).

Momento de Reflexão: Davi clamava: Põe guarda, Senhor, à minha boca; vigia a porta dos meus lábios (Salmo 141:3). Por que não oramos sempre assim? Fazendo alusão à figura da fonte usada por Tiago, me pergunto: por que tantos cristãos expressam palavras de doçura e ao mesmo tempo palavras de amargura? Essas coisas não deveriam ser assim, por isso, atente diligentemente para os seus lábios.

No amor de Cristo Jesus,

Pr. Natanael Gonçalves