Se vós, contudo, observais a lei régia segundo a Escritura: Amarás o teu próximo como a ti mesmo, fazeis bem; se, todavia, fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo arguidos pela lei como transgressores. Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos. Porquanto, aquele que disse: Não adulterarás também ordenou: Não matarás. Ora, se não adulteras, porém matas, vens a ser transgressor da lei (Tiago 2:8-11).

O que é uma lei régia? A versão atualizada usa o termo régia, enquanto a versão corrigida usa o termo “real”. Poderia ser traduzida como a lei real, a lei pura ou a lei de suprema excelência. Por que Tiago começa o verso oito fazendo menção a essa lei? Bem, no comentário anterior, vimos que ele passou uma reprimenda naqueles irmãos por fazerem uma distinção preferencial entre o rico e o pobre. Agora, o autor desenvolve o seu pensamento utilizando um princípio para contradizer o que era de entendimento, quase geral, dos judeus de então. Uma grande maioria, considerava a lei como uma série de mandamentos independentes. Quando guardavam um dos mandamentos, criam que adquiriam um crédito e, quando quebravam um outro mandamento, incorriam num débito. Assim sendo, alguém podia somar os créditos e os débitos e verificar se o saldo era positivo ou negativo.

W. Barclay diz que havia um ditado rabínico que dizia: “aquele que cumpre somente uma lei, lhe é dado uma coisa boa; sua vida será prolongada e ele herdará a terra”.  Além disso, muitos rabinos afirmavam que “o sábado supera todos os outros preceitos“; portanto, guardar o sábado, significava que a pessoa havia cumprido toda a lei.

Tiago, no entanto, via a lei como um conjunto que representava a vontade de Deus. Por isso, não cumprir qualquer um dos mandamentos seria infringir essa vontade e, consequentemente, um pecado. Esta falta faria do agente que a cometesse, um transgressor de toda a lei. Isto posto, é como se Tiago dissesse: “Não importa o quanto és bom em outras áreas; se fazes acepção de pessoas, você agiu contra a vontade de Deus“. Todavia, ainda há algo a acrescentar: Ao reverenciar e destacar o rico em detrimento do pobre, eles buscavam o seu próprio bem. Desta forma, não cumpriam a lei real das Escrituras que nos dizem: amarás ao teu próximo como a ti mesmo.

Para Deus, não há pecados pequenos e pecados grandes. Pode haver diferença nas consequências, mas todo pecado possui a mesma natureza. Por não cumprirem a lei excelente, são considerados transgressores, pois manifestaram sua falta de amor para com os demais. Finalizando, essa conduta era uma séria ofensa a Deus, e eles precisavam ser alertados. 

Momento de Reflexão:  No Novo Testamento, os mandamentos de Deus são cumpridos com base no amor (1 João 2:5). Ao olhar para aquela comunidade, surge a pergunta: o que ofuscou esse amor? A resposta é simples, pois o que ocorreu a eles, pode ocorreu a qualquer um de nós, se não vigiarmos. Em dado momento, o Reino não exercia a primazia entre eles. Se distraíram, tentando se livrar da perseguição e dos problemas e, com isto, agiam segundo as suas conveniências. Agiram de forma errada e pecaram. Tiago, então, lhes escreve para corrigir-lhes a rota. E quanto a nós?  Devemos examinar o nosso coração e verificar a nossa paixão pelo Senhor e Sua Palavra. Se somos fiéis a Ele, não nos deixaremos enredar pelas circunstâncias ou pelo mundo com todas as suas ofertas tentadoras à carne. O Espírito Santo nos ajudará na caminhada e seguiremos sempre no temor de Deus, não desejando, em momento algum, ferir o Seu coração com algum pecado voluntário. Reflita sobre isso e examine-se!

Em Cristo que nos amou,

Pr. Natanael Gonçalves