Se alguém entre vós cuida ser religioso e não refreia a sua língua, antes, engana o seu coração, a religião desse é vã. A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo (Tiago 1:26-27).

Uma fé viva se relaciona com a religião pura e seus frutos. O termo traduzido por “religião” significa “prática exterior, culto a um deus“. É usado apenas cinco vezes em todo o Novo Testamento (Tiago 1:26, 27; Atos 25:19; 26:5 e Colossenses 2:18, em que é traduzido por “culto”). A religião pura não tem nada a ver com rituais, templos ou dias especiais. Antes, significa praticar a Palavra de Deus e anunciá-la a outros por meio da mensagem audível, do testemunho de vida, serviço e separação do mundo.

        1. O problema da língua (verso 26).

Se alguém entre vós cuida ser religioso e não refreia a sua língua, antes, engana o seu coração, a religião desse é vã.  Há uma estreita relação entre a mensagem audível e o testemunho de vida, ou seja, o cristão deve anunciar a mensagem do evangelho e viver o que anuncia. Tiago nos dá a impressão de que havia sérios problemas que envolviam a língua na congregação (Tiago 1:19; 2:12; 3:1-12, 14-18; 4:11-12). Em nossos dias, há alguma diferença? O autor parece colocar alguém que não refreia a sua língua, contra a parede. Ele afirma que tal pessoa engana a si mesma e a sua devoção não tem valor algum. Jesus afirma que a língua revela o que há coração (Mateus 12:34-35). Se a fonte for pura, a água que jorra também o será. Como está o seu coração? É importante observar que há em nós um elemento que não pode ser transformado: a nossa natureza terrena! Neste caso ela precisa morrer (Colossenses 3:5). Por causa desta natureza terrena, devemos exercer controle sobre a língua. Assim sendo, ouvimos Tiago dizer que, quem pratica a verdadeira religião, refreia a sua língua.

2. O serviço (verso 27a).

A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações… Depois de nos vermos no espelho da Palavra, devemos olhar para os outros e para suas necessidades. Isaías primeiro viu o Senhor, depois a si mesmo e, em seguida, às pessoas que deveria ministrar (Isaías 6:1-8). Nossas palavras não funcionam como substituto das obras do amor (Tiago 2:14-18; 1 João 3:11-18). Assim, o que se requer de cada pessoa cristã, são atos de amor ao próximo. Não obstante, há uma linha fina que divide esse ponto: a motivação! Em meu ministério conheci pessoas que demonstravam amar ao próximo através das suas obras, mas as suas vidas não davam testemunho de uma relação pessoal e estreita com Cristo. É preciso examinar o coração e não descuidar do que o autor define como pura e imaculada religião.

 

3. A separação do mundo (verso 27b).

…e guardar-se da corrupção do mundo.  Ao falar sobre o “mundo”, Tiago refere-se à sociedade sem Deus. Satanás é o príncipe deste mundo (João 14:30), e os perdidos são filhos deste mundo (Lucas 16:8). Como filho de Deus, o cristão está fisicamente no mundo, mas não pertence ao mundo (João 17:16). Somos enviados ao mundo para pregar e ganhar outros para Cristo (João 17:18). Somente mantendo a separação do mundo é que se pode servir a outros. O mundo deseja corromper o cristão e contaminá-lo. Começa com a “amizade do mundo” (Tiago 4:4), que pode levar ao amor pelo mundo (1 João2:15-17) e, consequentemente, conformar-se com o mundo (Romanos 12:1-2). Para pregar e testemunhar ao mundo, não há necessidade de envolvimento com o mesmo. Jesus é o nosso exemplo. Ele foi amigo de publicanos e pecadores, mas manteve-se “sem mácula” (1 Pedro 1:19). A conclusão é óbvia: pregue, ministre às necessidades do mundo, mas guarde-se puro da sua contaminação.

Momento de Reflexão: Para alguns, o livro de Tiago é o livro do confronto. Com efeito, ao tratar do problema da língua, do serviço e da contaminação do mundo, o cristão é levado a fazer um exame de si mesmo. Sua religião é verdadeira se… Você é aprovado neste exame?

Desejando fortemente que a sua vida seja o reflexo da pura religião,

Pr. Natanael Gonçalves