A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento. Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz (Tiago 3.17-18).

Contrastando com a sabedoria terrena, Tiago fala da sabedoria que procede do alto. Vinda do céu, é um dom que o nosso Pai celestial outorga e envia como um presente perfeito para os seus (Tiago 1:5). A sabedoria que vem de Deus se contrapõe à falsa sabedoria que procede do mundo. No texto de hoje, vemos algumas características pertinentes à sabedoria do alto:

  • A verdadeira sabedoria é pura. No grego, a palavra usada para “pura” é hagnos. Isto significaria dizer que a verdadeira sabedoria está completamente limpa de todo motivo egoísta e que chega a ser suficientemente pura para ver a Deus. A sabedoria humana, entretanto, desejaria escapar da presença de Deus.
  • A verdadeira sabedoria é pacifica. O termo usado é eirenikos e tem o sentido de paz. Quando se usa no contexto humano, expressa uma relação correta entre as pessoas, a qual pode ser aplicada também entre elas e Deus. Assim sendo, o autor demonstra que a verdadeira sabedoria produz relações corretas, enquanto que a sabedoria humana, sendo arrogante, cruel e depravada, deturpa relacionamentos.
  • A verdadeira sabedoria é indulgente, isto é, moderada. O termo aqui é epieikes. A pessoa que é epieikes sabe perdoar mesmo quando a justiça implacável lhe dá todo o direito de condenar. Sabe fazer concessões e exercer misericórdia. Trata-se de uma pessoa “docemente razoável”. Esta, provavelmente, seria a melhor tradução para termo, segundo Matthew Arnold.
  • A verdadeira sabedoria é tratável. O termo usado é eupeithes. Segundo W. Barclay, ao expandir o conceito temos: “a verdadeira sabedoria não é rígida, nem inflexível, ao contrário, está sempre disposta a levar em consideração todas as coisas e sabe quando é necessário ceder”.
  • A verdadeira sabedoria é plena de misericórdia, isto é, de eleos. E também de bons frutos. O termo eleos quer dizer misericórdia para com a pessoa que está passando por dificuldades, ainda que a culpa seja dela mesma. A misericórdia do cristão sábio é o reflexo da misericórdia de Deus. Por outro lado, eleos também significa a misericórdia que termina em bons frutos, ou seja, na ajuda prática.
  • A verdadeira sabedoria é imparcial. Para esta palavra Tiago usou o termo adiakrito Isto significa que a pessoa não duvida e nem vacila, pois sabe o que pensa e escolhe uma linha de ação.
  • A verdadeira sabedoria é sem fingimento. O termo usado aqui é anypokritos. Isto significa que a sabedoria descrita por Tiago não se mostra com uma atitude fingida. Longe disso, ela é sincera e não possui pretensões de fazer qualquer coisa para conseguir o seu próprio fim.

Por último Tiago afirma: Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz. Em outras palavras ele afirma que, ao usar este tipo de semente, colheremos o resultado de uma vida que Deus deseja para os seus filhos. Não obstante, devemos lembrar que a semente que produz a melhor colheita, não pode frutificar em qualquer ambiente, mas, certamente, frutificará onde há boas relações entre as pessoas. Imagine um ambiente onde elas estão em constante rivalidade e desacordo. Nada de bom pode nascer ali, pois, nesse meio, onde há agressividade e disputas, o terreno é estéril e nele não se pode germinar e nem produzir as sementes da justiça.

Momento de Reflexão: Somos cristãos sábios? Temos tido o discernimento e a percepção que vêm lá do alto? Um teste para respondermos a estas questões, está baseado nos nossos relacionamentos. Examine-se! No entanto, quem tem falta de sabedoria, peça-a a Deus que a todos dá liberalmente (Tiago 1:5).

Naquele que deseja dar-nos a sabedoria do alto,

Pr. Natanael Goncalves