Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus (Tiago 4:4).

Concluindo o comentário do versículo acima, desejo enfatizar que o cristão fiel a Deus (2 Pedro 3:11) deve esperar a oposição do mundo (2 Timóteo 3:12). Esse modo de viver é apresentado de forma cristalina na Palavra de Deus, a base de todo verdadeiro cristão. Por outro lado, sabemos que o sistema do mundo é um sistema embasado na mentira e que se opõe à vida do cristão, cuja vida é trilhada na verdade. Diante de tal incompatibilidade, a amizade do mundo é inimizade total a Deus.

A consequência prontamente se manifesta como, literalmente, se lê: Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus. Tiago, ao usar o pronome indefinido “qualquer”, não deixa nenhum espaço para exceções. Ele também indica a voluntariedade da ação com os termos “que quiser”, os quais exprimem uma ação completa e levada a efeito por um ato consciente da vontade. Desta forma, o autor não poderia ser mais explícito ao apontar uma nova posição para todo cristão que se torna amigo do mundo: a de “inimigo de Deus”. Isto é simplesmente aterrador, mas que ninguém se espante, pois, trata-se de uma consequência natural e própria do pleno antagonismo entre Deus e o mundo (Mateus 6:24; Lucas 16:13; 1 João 2:15-16). A esta altura, se faz necessário lembrar que, tanto Deus como o mundo, exigem servidão incondicional e dedicação absoluta. Portanto, quem não está com Cristo, está contra Ele (Mateus 12:30; Lucas 11:23). Por esta razão, qualquer seguidor de Jesus é um inimigo do mundo (1 Pedro 4:4), e qualquer cristão que deseja ser amigo do mundo, se torna inimigo de Deus.

O escritor do livro aos Hebreus chega a uma conclusão assustadora: “Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hebreus 10:31). Tornando-se um amigo do mundo, o cristão cai plenamente no sentido de pecado voluntário, e, com isto, não se pode esperar outra coisa, senão “certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários” (Hebreus 10:26-27). Devemos lembrar que o livro aos Hebreus não foi escrito para os não convertidos, mas para os crentes em Cristo. De tudo o que ali vemos, podemos dizer que a amizade com o mundo trará juízo sobre a vida do cristão que assim proceder. Cair nas mãos do Deus vivo, significa cair nas mãos de Quem executa o juízo. As mãos executoras da sentença pelo pecado voluntário, não são, senão, as do Deus vivo, Aquele que opera os Seus desígnios e executa a Sua vontade. Portanto, ninguém pode detê-lo nesta ação. O crente em Cristo deveria refletir sobre os textos específicos do livro de Hebreus, no sentido de que, ao pecar de forma voluntária, mesmo tendo nascido de novo, isto é, sendo filho do Altíssimo, deve esperar a disciplina pelo pecado consciente. Não obstante, ainda que a correção seja, de fato, esmagadora, é bom saber que cair nas mãos de um Deus vivo, é cair nas Mãos da graça, que não cede ao pecado, mas ama e restaura o pecador (2 Samuel 24:14).

Por fim, a amizade com o mundo é a razão pela qual ninguém pode receber o que pede a Deus, haja vista que está se opondo Àquele a quem pede, porque pede com má disposição pessoal.

Momento de Reflexão: Incentivo você a ler o texto mais uma vez. Guarde-o em seu coração. Todos nós pecamos porque essa é a nossa condição. No entanto, a amizade com o mundo implica em uma escolha consciente e, desta forma, voluntária. Como cristão, persistir nesse caminho, é convidar a vara e o açoite da correção. Pense sobre o assunto!

Naquele que nos ama,

Pr. Natanael Gonçalves