Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus (Tiago 3;9).

Tiago vem tratando da língua nos versículos anteriores, todavia, ao chegarmos no verso nove, encontramos algo que pode assustar. Do que se trata? Vejamos:

Em primeiro lugar, o autor menciona duas manifestações contraditórias no uso da língua. Por um lado, ela aparece como instrumento de louvor, bendizendo a Deus e, por outro, amaldiçoando os homens. A forma verbal “bendizemos”, tem o sentido de uma boa palavra, isto é, falamos bem de Deus. Isto equivale a glorificar a Deus com louvores que honram e proclamam o Seu nome. Além do mais, essas pessoas o reconhecem como Senhor, Aquele que exerce domínio e senhorio absoluto, mas não somente isso; também o confessam como Pai, de quem afirmam ser dependentes, já que todo dom perfeito e toda boa dádiva procedem d’Ele (Tiago 1:17). Não obstante, imediatamente surge o contraste, pois, com a mesma língua que se louva a Deus, se amaldiçoa os homens. Se bendizer significa falar bem, maldizer tem o sentido de falar mal ou desejar mal a alguém. De que serve louvar a Deus, se a pessoa fala mal de quem foi feito à semelhança d’Ele? Esta insensatez é séria e também um grave pecado, porque pelo mesmo canal de bênção, se pronuncia uma maldição. Em outras palavras: com a mesma língua que se louva ao Criador, se maldiz a Sua criatura, posto que o homem traz em si mesmo, a imagem e semelhança do Criador (Gênesis 9.6). A gravidade de tal ação é notória e pode ser entendida deste modo: quem amaldiçoa a criatura que carrega a imagem de Deus, logo, está amaldiçoando o Criador que pôs a Sua imagem nela. Já pensou nisto quando leu este versículo?

Maior gravidade ainda é quando se fala mal de um irmão em Cristo. O cristão, como criatura, é criação de Deus e carrega Sua imagem; no entanto, é também uma nova criação de Deus em Cristo (2 Coríntios 5:17). Isto posto, acrescento que a imagem de Deus é restaurada na vida de tal pessoa (1 Coríntios 15:49), portanto, maior pecado se comete na maledicência contra o irmão ou a irmã. Como se isto não bastasse, adiciono que o cristão é templo de Deus (1 Coríntios 3:16), e que o Altíssimo está trabalhando em sua vida para conformá-lo à imagem de Cristo (Romanos 8:29). Assim sendo, quando se fala mal de um irmão (a), Deus também está sendo atingido por quem usa sua língua.

Por fim, o maledicente não pode estar em sintonia com a família cristã, porque não está em comunhão com Deus. O apóstolo Paulo não passa por cima do tema, ao contrário, considera-o na lista de pecados que impedem a comunhão, senão vejamos: Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais (1 Coríntios 5:11).

Momento de Reflexão: Você vigia com diligência a sua língua? Talvez você nunca atentou para a gravidade do tema. Faça um exercício meditando nas referências bíblicas que estão dispostas neste pequeno comentário. Depois disso, ore e tente falar mal de alguém. Passou no teste?

Que Deus abençoe ricamente o seu coração,

Pr. Natanael Gonçalves