As vossas riquezas estão apodrecidas, e as vossas vestes estão comidas da traça (Tiago 5.2).

Segundo o modo de pensar de uma imensa maioria, as riquezas são cobiçadas porque proporcionam estabilidade e felicidade. Conforme a perspectiva dessas pessoas, os ricos são felizes e os males que o dinheiro pode evitar, não lhes acercam. No entanto, mesmo que esta visão predomine, não é a real situação detectada por Deus. As riquezas estão integradas por três elementos: vestes, ouro e prata. A primeira, no verso acima e as outras duas, no versículo três. Estes bens terrenos, tão apreciados por aqueles ricos, Deus os denomina de “apodrecidos”. O texto expressa a ideia de que essas riquezas já apodreceram e não possuem valor algum. Como já vimos anteriormente, eles amavam as suas riquezas e é bom ressaltar que o amor às riquezas impede o amor pelo Senhor: Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas (Mateus 6.24). O contraste se define entre as riquezas temporais e as eternas. Quem acha que pode servir a ambos interesses ao mesmo tempo, não discerniu que o coração já está dividido. Não é possível servir às riquezas e depender de Deus pela fé.

Lendo de forma acurada o texto de Tiago, poderíamos construir uma cena da situação. Assim, imaginamos o autor pegando alguns pelos ombros e balançando-os, como se desejasse acordá-los. É como se dissesse: os valores, a confiança e a segurança de vocês, estão centrados nos bens que possuem. Acordem!

Servir a Deus e viver uma vida de fé, requer absoluta renúncia, inclusive da própria vida. Jesus fala sobre isso em Mateus 10.38-39: E quem não toma a sua cruz e não segue após mim não é digno de mim. Quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida por amor de mim achá-la-á.

Tiago afirma que essas riquezas estão apodrecidas. Em tal estado, três coisas acontecem: em primeiro lugar, a contaminação. Qualquer elemento decomposto contém germes. Espiritualmente falando, eles geram enfermidades. Em segundo lugar, eles são inúteis, pois tudo o que está deteriorado deve ser descartado. Em terceiro lugar, eles propagam mau cheiro. Enquanto as ofertas, ou a contribuição a outros, produzem um aroma agradável a Deus (Filipenses 4:18), o acúmulo de riquezas como objetivo de vida, produz um cheiro fétido diante de Deus.

Uma das manifestações da riqueza são as roupas esplêndidas e caras que tornam a condição do rico visível para todos. Dessa maneira, eles entravam na igreja. Não eram espirituais, mas ricos que ostentavam. Esses eram aqueles que amavam ser distinguidos pelo tratamento preferencial, conforme lemos em Tiago 2:1-4. As pessoas viam tais vestes como admiráveis, no entanto, para Deus eram trapos apodrecidos.

Momento de Reflexão: O cristão que possui bens neste mundo, mas comporta-se como aqueles ricos de Tiago, precisam repensar a vida e mudar imediatamente seus valores. O cristão que não possui bens, mas deseja busca-los, deve examinar o coração para perscrutar a verdadeira motivação dessa busca. Se o fizer, sábio será. Não obstante, para todos, é importante lembrar o registro de 1 Timóteo 6.7: Porque nada trouxemos para este mundo e manifesto é que nada podemos levar dele. Reflita sobre isso!

Em Cristo Jesus, o Senhor

Pr. Natanael Gonçalves