Atendei, agora, ricos, chorai lamentando, por causa das vossas desventuras, que vos sobrevirão (Tiago 5.1).

Tiago desperta a atenção do leitor para o assunto que desenvolve no início do capítulo cinco. Ele o faz referindo-se aos ricos e dirigindo-lhes uma intensa exortação. São ricos soberbos, injustos, avarentos e mundanos. As ações judiciais (da parte de Deus) que anuncia sobre eles, lhes pronuncia como algo iminente, a ponto de realizar-se. Não se trata de um discurso contra a riqueza, posto que Deus nunca condena o fato de alguém ser rico. Antes, é uma advertência solene contra o mau uso das riquezas e, sobretudo, contra a forma injusta de obtê-las. A condenação bíblica é o amor às riquezas. Logo, quem lhes dedica amor, as põem acima de tudo. Desta forma, as riquezas ocupam o lugar de destaque no coração de quem as ama, e, sendo assim, usurpam o lugar que deveria pertencer unicamente a Deus. Todavia, como se não bastasse, as riquezas também conduzem o rico à arrogância (1 Timóteo 6:17).

Não sabemos se esses, a quem Tiago se refere, eram cristãos verdadeiros ou meros simpatizantes, porém é evidente que eles estavam entre os cristãos a quem o autor enviou a sua carta. Esses ricos são instruídos a chorar. Dá-se a entender que o imperativo de chorar expressa uma ação de urgência, como se dissesse: Chorem de uma vez por todas. O choro é intenso e o lamento deve ser profundo, como uma expressão de dor.  Não se trata do choro que conduz ao arrependimento, como vimos anteriormente em Tiago 4:9, mas de um lamento intenso por algo que é inevitável, apesar do pranto.

A razão do choro angustiante, são as misérias e desventuras que vos sobrevirão. Veja que contraste interessante: eles estavam amando e gozando suas riquezas, quando Deus lhes anuncia que sobrevirão a eles misérias (sentido da palavra desventuras), exatamente o contrário do que eles amavam: suas riquezas. Esta ação de Deus é inevitável e iminente. Por conseguinte, em vez de estarem felizes pelo que eles têm, deveriam lamentar pelo que lhes espera. Quando esse julgamento ocorrerá? Tiago não especifica o tempo, somente a proximidade. Pode ser que se trate de uma ação temporal imediata, a qual resultará com o fim das riquezas daqueles orgulhosos. No entanto, pode estar também apontando para o momento escatológico da presença dos maus diante do Juiz que os julgará por suas obras. Finalmente, o contexto que convida ao choro com gemidos e lamentos, leva a pensar em uma ação imediata, pela qual Deus terminaria com as riquezas adquiridas por meios pecaminosos e injustos. Este chorar sem consolo, é também um chorar sem arrependimento, o qual converte o pranto em verdadeiros uivos de desespero.

Momento de Reflexão: Infelizmente, muitos púlpitos dos nossos tempos estimulam pessoas a buscarem as riquezas e as coisas desta vida. Quando isso acontece, elas passam a amar as riquezas e as coisas. O texto de Tiago deveria leva-las a uma profunda reflexão, como também a um autoexame de suas vidas. Seria bem interessante fazer uma conexão com Colossenses 3.1-2: “Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra”.

No amor de Cristo Jesus,

Pr. Natanael Gonçalves