Meus irmãos, que adianta alguém dizer que tem fé se ela não vier acompanhada de ações? Será que essa fé pode salvá-lo? (Tiago 2:14 NTLH).

Antes de iniciar o comentário do texto de hoje, faço uma pequena observação sobre o título que envolve a palavra “confissão”. Para não dar lugar à duvidas, esclareço que o termo não se refere a uma confissão de culpa ou de pecados, senão a uma declaração que se profere com os lábios. Isto posto, tenha em mente que aqueles leitores de Tiago, confessavam com os seus lábios que possuíam fé. A partir deste ponto, façamos uma pequena análise do texto. Lembremo-nos de que aqueles judeus cristãos, espalhados ao redor do mundo, estavam sofrendo uma severa perseguição. Não estavam sofrendo apenas na esfera religiosa, mas também no entorno social e econômico. O sentimento era de insegurança, pois não sabiam como seria o dia seguinte. Muitos haviam perdido o emprego e, por não terem dinheiro, como poderiam prover sustento para suas famílias? Tal perseguição, produziu um interesse egoísta na defesa de si mesmos. Assim sendo, eles se dedicaram à sua proteção e não ajudavam uns aos outros. Assumiram um sentimento egocêntrico e se esqueceram do amor de Deus, de Seu plano e de Sua proteção. Não buscavam o bem do irmão, somente o deles próprios. Tiago, então, lhes escreve com o propósito de produzir ânimo em seus corações e também para ensinar-lhes como viver em um tempo de desânimo e aflição. A esta altura, diante da perseguição, exorta-os a produzirem, uma atitude de maior confiança no Senhor. A fé que ele deseja ver, é uma fé viva que se manifesta em obras, pois uma fé de tal qualidade, produz fruto em todo o tempo, mesmo no vendaval da tribulação.

Ao introduzir o tema no verso 14, o autor o faz com perguntas retóricas, ou seja, perguntas que não possuem o objetivo de obter uma resposta, mas sim, estimular seus leitores a uma reflexão sobre o tema que aborda.

A introdução desta frase: que adianta alguém dizer que tem fé, demanda que os leitores prestem atenção no assunto que ele destaca, isto é, fé e obras. A pergunta se refere a uma suposta pessoa que anda dizendo e se gabando de ter fé. Observe que ele não fala de alguém que tem fé, mas de alguém que diz ter fé. O que Tiago põe em evidência, é que a verdadeira fé não se manifesta através de quem diz, mas de quem faz.

Uma segunda pergunta retórica que também exige uma resposta negativa, se introduz para desenvolvimento do tema. A pergunta revestida de tal importância é: Será que essa fé pode salvá-lo? A indagação de Tiago toca num ponto nevrálgico, isto é, quem diz ter fé, deve gerar evidências que a demonstrem por meio das suas ações, ou melhor, das suas obras.

Será que Tiago está se referindo a uma fé salvífica, mediante a qual, se alcança a salvação? Alguns estudiosos querem ver aqui um conflito entre o ensino de Paulo e o de Tiago. Exatamente neste ponto, faço uma pausa. Por que? Porque o assunto exige uma divisão. Voltaremos na próxima publicação, todavia, enquanto isto, sugiro que você medite no texto de Tiago, pois, certamente o versículo vai mexer com muitos dentro da igreja dos nossos dias, senão, especificamente com você.

Momento de Reflexão: Você que é cristão, confessa que Jesus é Salvador e Senhor da sua vida? Talvez você me responda: sem dúvida! Não obstante, a fé que você confessa produz uma ação em favor do próximo? Suas ações e atitudes passam no teste da Palavra de Deus?

Em Cristo,

Pr. Natanael Gonçalves