Assim falai e assim procedei, como devendo ser julgados pela lei da liberdade. Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa sobre o juízo (Tiago 2:12-13).

Duas coisas chamam a nossa atenção no texto de hoje: a lei da liberdade e o juízo de Deus. O cristão vive debaixo da lei da liberdade e, por ela, será julgado. O que Tiago tem em mente? Ele demonstra que, ao contrário dos fariseus e dos judeus ortodoxos, o cristão não é regido por pressões exteriores ou por uma série de regras e de normas, mas pela obrigação do amor que um dia foi derramado em seu coração (Romanos 5:5).

Tiago exorta a seus leitores afirmando que eles devem mudar de atitude e conduta. Alertando para o julgamento, eles devem buscar primeiro o bem do próximo. É bom saber que o cristão não será julgado por seus pecados (isto já aconteceu na cruz), mas o será por suas obras (2 Coríntios 5:9-10). Desta forma, nossas palavras serão julgadas, nossas obras serão julgadas e nossas atitudes serão julgadas.

Palavras: Recordamos que o autor pôs em evidência as palavras que disseram aos dois visitantes no versículo 3. As palavras que proferimos procedem do coração, de modo que, quando Deus julga as palavras, na verdade Ele está examinando o coração (Mateus 12:34-37; Lucas 6:45).

Obras: Nossos pecados afetam o nosso caráter e nossas obras (Colossenses 3:22-25). Não é possível pecar de forma leviana e, ao mesmo tempo, servir a Deus com fidelidade. Deus perdoa nossos pecados quando os confessamos a Ele, mas as consequências permanecem.

Atitudes: Há duas atitudes contrastantes: demonstrar misericórdia e se recusar a demonstrar misericórdia. Não se trata de nos esforçarmos para merecer misericórdia, demonstrando-a para com os outros. Não é uma questão de mérito, mas uma questão de caráter cristão. Tiago os exortou a praticar a misericórdia quase lembrando as palavras de Jesus: bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia (Mateus 5:7).

Há, no entanto, uma outra bênção para a comunidade cristã a quem Tiago dirigiu a sua carta. A atitude de misericórdia iria pôr um fim na postura de parcialidade para com os ricos. Tiago, de modo algum é um legalista quanto à aplicação da Lei. Ele, contudo, se fundamenta no espírito da lei lembrando o mandamento do amor (João 13:34). Ao manifestar o amor, eles deixam de mostrar favoritismo para com os ricos. Por outro lado, quando mostram misericórdia aos necessitados, eles também receberão misericórdia. O pastor Tiago lhes indica que há um modo de mostrar a realidade da fé que possuem: devem pensar no próximo e buscar o bem dos outros, do mesmo modo como o buscam para si mesmos.

Momento de Reflexão: Quais as implicações práticas do que vimos hoje? Palavras, obras e atitudes, são coisas que expressam o que há em nosso coração. Portanto, se fizermos acepção de pessoas, é porque esse vírus está residindo lá. O mesmo ocorre com relação às nossas palavras e conduta. Precisamos examinar o nosso coração com algumas perguntas: Dou preferência ao rico em detrimento ao pobre? Minhas palavras abençoam e edificam os outros? Tenho amado a todos indistintamente? Minha conduta expressa o amor que Deus derramou em meu coração? Separe um tempo a sós com Deus e examine o seu coração (1 Coríntios 11:31).

Em Cristo Jesus,

Pr. Natanael Gonçalves