Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso? (Tiago 2:15-16).

No texto de hoje, Tiago imagina uma situação hipotética. Trata-se de um irmão ou uma irmã que fazem parte da igreja, mas se encontram numa situação de extrema necessidade. A expressão “estiverem nus”, não significa, necessariamente, que estejam sem roupas, mas com roupas rasgadas e pobremente vestidos. Em alguma medida, ele está se referindo a uma situação semelhante ao do pobre que havia entrado na igreja, mencionado no versículo 2. Todavia, o caso é ainda mais grave, pois além do problema da falta de roupa, não possuem o mantimento de cada dia. Eles estão em uma tremenda pobreza, e são membros da família da fé.

Este quadro que Tiago descreve, supondo ser uma possibilidade, exige uma resposta daqueles que dizem ter fé em Deus e pertencem a comunidade cristã. No texto, o confronto é estabelecido, posto que, um dentre eles, os despede com boas palavras: Ide em paz, aquentai-vos e fartai-vos. A questão que se coloca é: Como pode alguém ir em paz sentindo fome e frio? A pessoa que estava despedindo os irmãos necessitados, assim o fez, para que fossem buscar alimento quando não tinham como consegui-lo. Esta é uma atitude hipócrita de quem diz ter fé, mas não socorre o seu irmão em Cristo. Em outras palavras, tal pessoa estava dizendo a eles: Anda! Vão em paz! Tudo vai dar certo! Consigam abrigo, roupa e se alimentem bem! Despedia-os com simpatia, mas nada fazia para ajuda-los.

A consequência é clara, haja vista que uma resposta é exigida do leitor com a seguinte pergunta: “qual é o proveito disso?”. A fé daqueles cristãos que não exerciam misericórdia, não valia nada diante de Deus. Eram como árvores frondosas, mas sem fruto. Possuíam aparência de piedade, mas negavam a eficácia dela (2 Timóteo 3:5). Neste contexto, é bom lembrar que o amor consiste em compartilhar. Vejamos o que nos diz o apóstolo João: Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus? (1 João 3:17). As palavras repletas de boas intenções são mera hipocrisia que ferem quem as recebe. Quando tal pessoa comparecer diante do Tribunal de Cristo (verso 12), de nada valerá haver expressado os melhores desejos, se não praticar o amor misericordioso.

A fé que alguém diz ter, se não for acompanhada de amor ao próximo será reprovada por Deus, pois Ele mesmo disse através do profeta: Porventura, não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo? Porventura, não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desabrigados, e, se vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu semelhante? (Isaías 58:6-7). Por fim, diante da situação daquela igreja, cuja fé das pessoas era carente de uma atitude prática, a pergunta que Tiago formula é: Qual é o proveito disso? Aqui não se admite outra resposta a não ser esta: NENHUM!

Momento de Reflexão:  Paulo, em Gálatas 6:10, afirma que devemos fazer o bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé. Na prática, como você age com relação aos irmãos em Cristo e também com os de fora? Esta é uma pergunta que examina o nosso coração.  A vida cristã não é demonstrada no domingo ou em dias que vamos aos cultos da igreja, mas na rotina do nosso dia a dia. Você passa no teste proposto por Tiago?

No amor de Deus,

Pr. Natanael Gonçalves