Ou supondes que em vão afirma a Escritura: É com ciúme que por nós anseia o Espírito, que ele fez habitar em nós? (Tiago 4:5).

Este versículo possui algumas dificuldades, mas não é o meu propósito examinar com exaustão alguns detalhes, como por exemplo, o fato de não encontramos textualmente nas Escrituras, a pergunta retórica de Tiago. Entendo que o autor extraiu uma aplicação de alguns textos combinados, tais como Êxodo 20:5; Deuteronômio 4:24; 32:16 e Zacarias 8:2, onde encontramos a afirmação de que Deus, é um Deus zeloso e fogo que consome. O importante é compreender que este versículo está ligado ao anterior, cujo tema é a amizade com o mundo. A implicação é clara, pois quando o cristão se desvia de Deus indo para o mundo, provoca zelos ao Espírito Santo que nele habita. De uma forma mais abrangente, poderíamos completar dizendo que o Espírito Santo, residente na vida do crente em Cristo, anseia zelosamente pelo ele e, por isto, o faz sentir as coisas que Deus rejeita abertamente, quando ele vive na carne e em amizade com o mundo.

Os leitores de Tiago eram judeus convertidos e sabiam da promessa do Pai sobre o tema: Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis (Ezequiel 36.27). Em todo o Novo Testamento, vemos o ensino de que, ao passar pela conversão, a pessoa se torna habitação do Espírito Santo (Romanos 5:5; 8:9b; 1 Coríntios 6:19; 2 Coríntios 6:16), e santuário de Deus. O resultado dessa experiência é que o crente já não mais é dele mesmo, mas de Deus. Sendo templo de Deus, não pode se dispor livremente ao pecado. Observo ainda que a possessão divina do cristão, não é apenas uma questão de presença, mas de direito.  Por conseguinte, o cristão está obrigado a manter a santidade da habitação do Altíssimo, evitando a contaminação e vivendo para glorificar a Deus (1 Coríntios 6:20). A presença do Espírito Santo na vida do servo de Cristo, gera os recursos necessários para que ele possa viver uma vida agradável a Deus, e em total dependência d’Ele. A operação divina na vida do cristão, desenvolve não somente o desejo de uma vida pura, mas também o poder para a exercer (Filipenses 2:13). Por esta razão, quando o cristão vive na carne produzindo dissenções e conflitos, o Espírito de Deus o repreende zelosamente. O intuito é conduzi-lo ao sentido contrário enquanto o faz saber, na intimidade de seu coração, o desagrado de Deus.

Por fim, faço menção de Deuteronômio 32:16: Com deuses estranhos o provocaram a zelos, com abominações o irritaram. Esse registro parece reproduzir o mesmo ambiente textual da pergunta retórica de Tiago, já que aqueles cristãos se desviaram da fidelidade a Deus e, portanto, estavam causando ciúmes ao Senhor. O Espírito Santo os fez saber desse problema, não apenas falando em seus corações, mas também usando o seu servo na exortação escrita. Acrescento ainda que o Espírito anseia com ciúmes pelo cristão, no sentido de impulsioná-lo na direção da fidelidade ao Pai. Você pode constatar esta realidade, verificando que uma das manifestações do fruto do Espírito, é a fidelidade a Deus (Gálatas 5:22).

Momento de Reflexão: Quantas pessoas, crentes em Cristo, não têm provocado os ciúmes do Espírito Santo? Não sei nada sobre quem me lê, mas é saudável, espiritualmente falando, que se faça um autoexame à luz das Escrituras.

Naquele que anela por nós com ciúmes,

Pr. Natanael Gonçalves