Mas, se tendes amarga inveja e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica. Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins (Tiago 3:14-16).

Quando Tiago escreveu esta carta à igreja dispersa (1:1), problemas haviam ali. Na verdade, estes problemas transcendem o tempo e sabemos que eles estão presentes entre nós. A expressão condicional, “mas, se.…” no início do texto, não indica uma possibilidade, mas uma afirmação de algo que está no coração deles. Muitos pensam que a sabedoria é demonstrada por alguém que possui conhecimentos, no entanto, Tiago joga esse entendimento por terra ao descrever as qualidades de alguém que é verdadeiramente sábio. Ele estabelece um contraste entre a sabedoria que vem do alto com aquela que não é espiritual, mas terrena, humana e diabólica.

Para o autor, a sabedoria terrena se relaciona com a inveja, amargura e o egoísmo. Outrossim, a sabedoria do alto é verdadeira e se relaciona com a paz, a obediência, a misericórdia e a sinceridade. Ao destacar a inveja, a amargura e o egoísmo, Tiago prepara o cenário para desmoralizar as coisas que podem indicar sabedoria, mas que na verdade, não são. Quando Tiago pede aos sábios que manifestem sua sabedoria através da humildade e do bom comportamento no versículo 13, ele acaba expondo aqueles que professam ser sábios, a despeito da conduta egoísta deles. O autor demonstra que o procedimento sábio é o que importa, e não somente as palavras sábias. Portanto, não interessa quão eloquentes sejam as palavras, ou imponentes sejam os discursos, já que a origem de seus conhecimentos é delatada pela conduta de vida que possuem. Alguém que afirma ser sábio, nunca poderia propor: “chegue mais perto e eu vou te mostrar como a minha sabedoria te fará progredir na obtenção de seus objetivos amargos e egoístas. Para a igreja, isto não funcionava naquele tempo e não funciona agora.

O sentimento faccioso (que é entendido como uma ambição egoísta) e a amarga inveja, não são frutos de uma vida plena de Deus. Interessante é notarmos a descrição da origem que ele faz destas atitudes. Primeiro, Tiago mostra que semelhante espírito é terreno em contraste com o celestial. Segundo, reflete a preocupação com as coisas passageiras da vida em vez de preocupar-se com as coisas de Deus. Sendo assim, tal espírito é terreno e animal. Finalmente, o autor afirma que as más atitudes de egoísmo e sentimento faccioso são diabólicas, isto é, procedem de Satanás.

Ao terminar, lembro-me de Paulo. O apóstolo afirma que Deus não é Deus de confusão (1 Coríntios 14:33) e Tiago reforça esta verdade assinalando que onde estão em operação as forças satânicas, ali há toda espécie de perturbação (verso 16). Ciúmes, invejas e contendas são motivos de desordem e distúrbio para quem lhes dá abrigo, pois elas impedem a pessoa de pensar com clareza e de atuar com sabedoria. Li, em algum lugar, que um estudioso cristão traduziu o verso 16 desta maneira: “porque onde quer que se acham a inveja e rivalidade, também se acham a desarmonia e todos os outros tipos de maldade.”

Momento de Reflexão: A Palavra de Deus é formidável e extraordinária. Ela nos ensina, instrui e aponta o caminho que devemos seguir. Depois de ler o texto e refletir sobre ele, o que aprendemos? Tiago vem falando de comportamento do cristão. A questão é como nos envolvemos e nos embrulhamos nessa verdade. Por isso, o convite é para você fazer uma avaliação de seu coração e viver na trilha da verdadeira sabedoria. Como você responderia a esse convite?

Naquele que nos amou e deseja que vivamos de acordo com a Sua vontade,

Pr. Natanael Gonçalves