Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres (Tiago 4:3).

No versículo dois, Tiago diz aos leitores que eles não recebiam porque não pediam. Talvez pudéssemos questionar dizendo que há uma contradição no que o autor relata, haja vista que eles estavam pedindo, mas não recebiam o que pediam. No estudo anterior, já tratamos da questão da oração, e, só para relembrar, Tiago afirmou que “nada tendes porque não pedis”. Dentro deste contexto, o coração daquelas pessoas estava cheio de cobiça e inveja e, por esta razão, viviam lutando e fazendo guerras; portanto, não oravam e, aqueles que o faziam, pediam mal. Aqueles cristãos haviam postos os seus corações naquilo que o mundo oferece, por consequência o resultado eram as lutas e paixões que perturbavam a paz. Assim sendo, não oravam, e, quem orava, como podia pedir corretamente se o seu coração ignorava a vontade de Deus?

A falta de oração e as motivações que não se conformam com a vontade de Deus, geram vidas improdutivas. Foi assim na vida daqueles cristãos e continua sendo na vida de muitos, hoje em dia. Diversas pessoas utilizam a ferramenta da oração buscando alcançar seus próprios desejos e não os de Deus. Nesta esfera, o pior que Deus poderia fazer por qualquer um de nós, seria responder ou dar-nos o que pedimos em nossas orações egocêntricas.

O texto acima desperta a nossa atenção ao revelar que aqueles cristãos eram egoístas e os seus pedidos estavam baseados na satisfação de seus prazeres. O que aprendemos com esta descoberta? Primeiro, se o nosso coração é simplesmente religioso e não arde por Cristo, nossas orações serão como aquelas dos leitores de Tiago, ou seja, centradas nas coisas deste mundo e desenvolvendo o egoísmo. Segundo, tudo indica que eles estavam afastados da presença de Deus, pois é impossível manter uma proximidade com o Senhor e, ao mesmo tempo, desenvolver um espírito egoísta. Quanto a nós, se mantivermos intimidade com o Autor da vida, certamente a nossa petição, em todo o tempo, será: “não se faça a minha vontade, mas a tua” (Lucas 22:42). Não obstante, enquanto não houver renúncia e entrega total, nossos pedidos seguem na direção do “…pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres”. Se assim for, a cobiça, a inveja, as lutas e as guerras se alojarão em nossos corações, e ali permanecerão até que haja arrependimento e conserto (Apocalipse 2:5).

Resumindo, o texto de Tiago é revelador. Ele não foi escrito para preencher alguma lacuna, mas para nos ensinar. O homem é igual em todo o tempo e o cristão, por causa da sua natureza terrena, deve estar sempre em guarda para não andar na trilha paralela à vontade de Deus. Deste modo, meu propósito ao comentar esse pequeno versículo, é despertar você para essa realidade tão presente em nós mesmos. Se você buscar a face do Senhor e o seu coração se curvar ao Pai, então os seus desejos serão os d’Ele e as suas petições, serão respondidas (1 João 5:14-15). Medite sobre isso e que Deus te abençoe!

Pr. Natanael Gonçalves