O vosso ouro e a vossa prata se enferrujaram; e a sua ferrugem dará testemunho contra vós e comerá como fogo a vossa carne. Entesourastes para os últimos dias (Tiago 5.3).

Ouro e prata são metais chamados nobres, porque não se degradam como os outros. No entanto, segundo os entendidos, podem ser carcomidos por uma solução altamente corrosiva, formada pela mistura de ácido nítrico concentrado e ácido clorídrico concentrado. É um dos poucos reagentes capazes de dissolver o ouro, a platina e o resto dos metais. Como já observei anteriormente, as riquezas aqui, no versículo três, se expressam por meio do ouro e da prata. Fazendo uma pesquisa em alguns dicionários da língua grega, a palavra ferrugem carrega também o significado de veneno. Isto é importante porque indica que as riquezas deles, ouro e prata, eram como veneno para aqueles ricos, isto é, como uma armadilha mortal. A ideia geral que Tiago desejava transmitir, era a de que, tudo o que aquelas pessoas ricas possuíam como algo de supremo valor, se havia deteriorado definitivamente.

Um outro agravante sobre as riquezas daquela gente, era o fato de que as riquezas não apenas se destruíam porque são temporais, mas que se convertiam em testemunho contra eles. Aquelas possessões se enferrujaram e essa decomposição seria uma prova da avareza deles. Eles, com zelo, haviam entesourado aquelas riquezas para si mesmos, em vez de investi-las no reino e em pessoas necessitadas. Com isto, os próprios bens corroídos, os declarariam culpados de falta de amor.

O resultado final é que essas riquezas, ou o pecado de acumulá-las, fazendo delas um deus, traria como consequência uma ação judicial, a qual Tiago descreve assim: devorando como fogo a vossa carne. Isto aponta, não apenas para o juízo vindouro, mas também para os resultados que virão sobre eles. As riquezas que possuíam, iriam acusa-los, mas não somente isso, senão que também se converteriam em verdugos que executariam o juízo, comendo como fogo as suas carnes.

Aqueles ricos, a quem Tiago lhes dirigiu a exortação, sabem que o amor fraterno é a razão de ser da vida cristã, não obstante, praticavam a avareza e o amor aos bens materiais. Em tal sentido, deveriam considerar o que Deus estabeleceu em Sua Palavra, para quem O desafia: Mas a pessoa que fizer alguma coisa atrevidamente, quer seja dos naturais quer dos estrangeiros, injuria ao Senhor; tal pessoa será eliminada do meio do seu povo. Fazer alguma coisa atrevidamente, em outra versão, com punhos erguidos, significa pecar voluntariamente. Quantos, hoje, dentro da igreja, procedem da mesma forma? Quantos amam e se apegam às coisas materiais e fazem delas um “deus”? Será que podemos aprender alguma coisa com o texto de Tiago?

Momento de Reflexão: Temos nas Escrituras, exemplos de pessoas que possuíam muitas riquezas materiais, mas não se apegavam a elas. Davi é um desses exemplos. Primeiro, ele reconhecia que tudo vinha de Deus. Segundo, tinha um coração abençoador: Porque quem sou eu, e quem é o meu povo para que pudéssemos dar voluntariamente estas coisas? Porque tudo vem de ti, e das tuas mãos to damos (1 Crônicas 29:14).

No amor de Cristo Jesus,

Pr. Natanael Gonçalves