Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta? Porventura Abraão, o nosso pai, não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque? Bem vês que a fé cooperou com as suas obras e que, pelas obras, a fé foi aperfeiçoada, e cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus (Tiago 2:20-23).

Analisando o texto acima e tomando em consideração o contexto próximo, pode-se concluir que o interlocutor imaginário de Tiago não está convencido da inutilidade da fé intelectual. Ao fazer a pergunta: “queres tu saber?”, o autor o qualifica como um homem vão, pois aquele que se gaba de uma fé sem obras é uma pessoa vã ou insensata.

Seguindo na estrada do ensino, Tiago toma dois exemplos de pessoas que se destacaram no Velho Testamento. Nos versículos 20 a 23, encontramos o primeiro exemplo:

  • Abraão.

Deus chamou Abraão da terra de Ur dos caldeus com propósitos definidos: leva-lo a Canaã e constituir, a partir dele, a grande nação de Israel. Por meio de Israel, Deus enviaria ao mundo o Messias. A experiência de salvação de Abraão é relatada em Gênesis 15. À noite, Deus mostrou as estrelas a ele e lhe deu uma promessa: “Assim será a tua descendência”. Qual foi a reação de Abraão? “Ele creu no Senhor, e isso lhe foi creditado como justiça” (Gênesis 15:5,6 – NVI).

A justificação é uma doutrina bíblica importante. É o ato pelo qual Deus declara justo o pecador que crê, tomando por base a obra consumada de Cristo na cruz. Não é um processo; é um ato. Não é algo que o pecador faz, mas sim algo que Deus faz quando o pecador crê em Cristo. Como saber se uma pessoa é justificada pela fé, se essa transação ocorre em particular entre o pecador e Deus? O exemplo de Abraão responde a essa pergunta crítica: a pessoa justificada passa por uma transformação de vida e obedece à vontade de Deus. Sua fé é demonstrada por suas obras.

Tiago usa outro acontecimento da vida de Abraão ocorrido vários anos depois da conversão do patriarca: o oferecimento de seu filho Isaque no altar (Gênesis 22). Abraão não foi salvo por cumprir a ordem difícil que Deus lhe deu. Sua obediência provou que ele já era salvo. “Bem vês que a fé cooperou com as suas obras e que, pelas obras, a fé foi aperfeiçoada” (Tiago 2:22). Há uma relação perfeita entre fé e obras e, a exemplo disso, alguém escreveu: “Abraão não foi salvo pela fé acrescida de obras, mas sim por uma fé operante”.

De que maneira Abraão “foi justificado?” (Tiago 2:21). Será que o foi quando ofereceu Isaque? Outra pergunta surge após essa: Mas ele não havia sido “justificado pela fé“, antes? (Romanos 4). A explicação vem a seguir: pela fé, Abraão foi justificado diante de Deus, e sua justiça foi declarada. Pelas obras, ele foi justificado diante dos homens, e sua justiça foi demonstrada. Abraão, pela fé ofereceu o seu filho Isaque e, essa ação, demonstrou a sua fé. A fé viva obedece a Deus e se mostra na vida e nas ações diárias de pessoas que, um dia, receberam a Jesus em seus corações.

Momento de Reflexão: Muitos declaram que conhecem a Deus e que se relacionam com Ele. Todavia, suas atitudes e obras proclamam ao mundo quem, verdadeiramente, são. Dentro desse contexto, é bom lembrar Paulo: “Eles afirmam que conhecem a Deus, mas por seus atos o negam, são detestáveis, desobedientes e desqualificados para qualquer boa obra” (Tito 1:16 – NVI). Reflita sobre isso!

Naquele que conhece todas as coisas,

Pr. Natanael Gonçalves