Afligi-vos, lamentai e chorai. Converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria, em tristeza (Tiago 4:9).

Ao iniciar o comentário do verso acima, é preciso observar que a limpeza e a purificação do coração exigem o reconhecimento do pecado existente. Para o autor, uma situação de aflição deve ocorrer primeiro. O verbo afligir relaciona-se com o estar em uma situação miserável, onde nada pode haver além da aflição de espírito. Este é o princípio do caminho da restauração, pois, nessa condição, o crente percebe o quão miserável ele é diante de Deus (Romanos 7:24).

Pela mesma razão Tiago também estimula o lamento. Esse verbo expressa a ideia de um lamento intenso, o qual surge de uma situação de profunda tristeza. No contexto, é a expressão de dor que afeta o coração pelo mal cometido contra Deus. É a tristeza pelo pecado que leva ao arrependimento e à restauração. O apóstolo Paulo também exortou os crentes da igreja em Corinto a esta mesma ação, para que Deus operasse a purificação do pecado dentro da igreja. Aqueles de Corinto, assim como os destinatários de Tiago, estavam ensoberbecidos e satisfeitos, alheios à situação espiritual em que se encontravam: E, contudo, andais vós ensoberbecidos e não chegastes a lamentar, para que fosse tirado do vosso meio quem tamanho ultraje praticou? (1 Coríntios 5:2). Toda igreja deveria estar sofrendo a dor pelo pecado que se havia manifestado, e não apenas aqueles a quem o autor os chama de pecadores (Tiago 4:8). Chorar pelo próprio pecado é um sinal de arrependimento, chorar pelo pecado de outros é um ato de confissão diante de Deus, como Neemias havia feito (Neemias 1:4-11).

Depois do lamento há também o chamado ao choro. Da mesma forma que os verbos anteriores exprimem a ideia de urgência e de uma ação completa, o mesmo ocorre com este terceiro verbo imperativo. Sabemos que o choro é a exteriorização do lamento da alma e, assim sendo, quando há arrependimento sincero, a situação envolve lágrimas e angústia pelo pecado cometido contra Deus. A construção do versículo acima envolvendo os três verbos imperativos, indica que as ações de afligir, lamentar e chorar, devem estar presentes no caminho da restauração.

A mudança de atitude é profunda. O riso do pecado deve ser substituído pelo pranto do arrependimento: Converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria, em tristeza. Em outras palavras, que o riso seja guiado ao pranto e a alegria, à tristeza. É uma necessidade que concorda com a advertência de Jesus: …Ai de vós, os que agora rides, porque vos lamentareis e chorareis! (Lucas 6:25b). Quando um cristão cai em pecado, a alegria e o riso devem emudecer e dar lugar ao pranto amargo do arrependimento, tal qual aconteceu com a negação de Pedro (Lucas 22:60-62). Este é o pesar que agrada a Deus conforme vemos em 2 Coríntios 7:10: Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte. A experiência de Davi também foi a mesma, de modo que pôde afirmar: Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus (Salmo 51:17). Nenhuma oferta de sacrifício está estabelecida para quem vive de forma mundana e distante de Deus. A única oferta aceitável é um coração contrito e quebrantado, o qual é restaurado conforme a provisão do Deus de toda graça. Um coração contrito é aceito pelo Pai porque desse coração foi eliminado o orgulho, dando lugar à humildade.

Momento de Reflexão: Muita gente dentro da igreja, incluindo alguns líderes, precisam avaliar e rever as suas vidas diante do Altíssimo. Se há pecado, as pessoas precisam cumprir a ordem de Tiago e buscar arrependimento, coisa que agrada a Deus. No mais, que todos reflitam sobre o tema.

Que o Espírito de Deus toque cada coração,

Pr. Natanael Gonçalves