Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Limpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai o coração (Tiago 4:8).

A segunda parte do versículo é intensa e forte. Em primeiro lugar, Tiago usa a metáfora de lavar as mãos para referir-se a uma limpeza moral. Seu chamado a esta ação tem um endereço: aqueles a quem ele chama de pecadores. O adjetivo envolve a condição de quem é transgressor e errou o alvo que Deus estabeleceu para sua vida. Chamar um judeu de pecador era uma expressão forte naquela cultura. Por exemplo, os fariseus costumavam usar o termo quando se referiam aos publicanos e a quem não conhecesse a Lei ou a ignorasse voluntariamente.

Num sentido figurado, limpar as mãos equivalia a apresentar uma vida limpa diante de Deus. Para os judeus dos tempos de Jesus, a prática de lavar as mãos antes de comer era quase uma obrigação (Mateus 15:2). Eles mostravam um excesso de zelo pela santidade aparente, mas não há dúvida alguma de que um coração santo, manifesta um comportamento exterior condizente. Os judeus consideravam a lavagem externa como uma demanda especial de santidade (Êxodo 30:17-21), e os escribas e fariseus, hipócritas daquele tempo, ensinavam que o descuido de lavar as mãos era um pecado tão nocivo quanto a luxúria ou outro crime qualquer.

Desta forma podemos entendemos melhor a razão de Tiago usar a figura das mãos limpas. Ele estava aplicando o desejo de pureza aos antigos cristãos, demandando a realidade de um coração santo diante de Deus. Paulo pede aos que oram, que o façam levantando mãos santas (limpas), atitude que, no contexto imediato, tem a ver com vidas sem ira nem contenda (1 Timóteo 2:8). Este era um dos problemas existentes naquela igreja (Tiago 3:14,16; 4:1-3). A comunhão com Deus pode ser interrompida por este pecado, e, como consequência, a oração feita com um espírito contencioso e que manifesta uma verdadeira falta de amor aos irmãos, não pode ser respondida.

Por fim, limpar as mãos implica em confissão e separação do pecado (1 João 1:9). Ao invés de dedicar tempo a orar de forma incorreta para receber o que desejavam (Tiago 4:2-3), o autor lhes exorta a uma oração de confissão, tanto individual como coletiva.

Momento de Reflexão: Quando nos detemos para saber o que estava acontecendo naquela comunidade a quem Tiago dirigiu a sua carta, podemos indagar sobre nós. Nossas mãos estão limpas diante de Deus? Podemos levantar as nossas mãos em oração e adoração a Deus, livres de qualquer impedimento? São perguntas que devem ser respondidas em frente ao espelho.

No amor de Deus,

Pr. Natanael Gonçalves