Pois toda espécie de feras, de aves, de répteis e de seres marinhos se doma e tem sido domada pelo gênero humano; a língua, porém, nenhum dos homens é capaz de domar; é mal incontido, carregado de veneno mortífero (Tiago 3.7-8).

Nestes dois versículos, Tiago faz uma comparação ao contrastar a força indômita da língua com a ação dominante do homem sobre os animais. Esta façanha humana sobre toda espécie de bichos, revela, conforme o autor construiu a frase, a ideia de que o homem conseguiu não somente domar ou dominar os animais, senão que muitos deles foram domados ou domesticados definitivamente. Veja, por exemplo, o que afirma o salmista: Deste-lhe domínio sobre as obras da tua mão e sob seus pés tudo lhe puseste: ovelhas e bois, todos, e também os animais do campo; as aves do céu, e os peixes do mar, e tudo o que percorre as sendas dos mares (Salmo 8:6-8). A partir dessa consideração, se mostra o contraste. Enquanto se pode controlar e domar os animais, ninguém, contudo, pode controlar definitivamente e completamente a sua língua. Ninguém consegue dominá-la por si mesmo, isto é, por seu próprio esforço pessoal. Esta impossibilidade, no entanto, se faz possível na medida em que o cristão se submete ao controle total do Espírito Santo (ver Romanos 8:6-9).

O autor prossegue afirmando que a língua é mal incontido e veneno mortífero. O primeiro expressa o significado de instável, incontrolável, escorregadio, inquietante, no sentido de algo que se opõe ao que é verdadeiramente bom. Este mal é duplamente perigoso porque é instável e incontrolável, e, portanto, pode produzir sérios danos. O segundo declara abertamente que a língua é veneno mortífero. Esta mesma condição foi destacada pelo apóstolo Paulo em Romanos 3.13-14, afirmando que a garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura. Nesse texto, o apóstolo dá a entender a contaminação oculta que se manifesta no falar. A corrupção da língua é comparada com o veneno que a serpente inocula em sua vítima, lembrando com isto, que a serpente é uma referência a Satanás, no Éden, o qual usou este ardil para instilar o veneno mortal do pecado (2 Coríntios 11:3). Consequentemente, a língua incontrolável é portadora de morte (Salmos 10:7; 140:3).

Momento de Reflexão: Tiago usa doze versículos deste capítulo que estamos analisando para ensinar sobre a língua. O assunto é sério e urgente. Como vimos no texto de hoje, ninguém é capaz, por si só, de dominar o seu modo de falar. Não obstante, há um remédio para isto: submissão total ao Espírito Santo. Desperto a sua atenção, no entanto, ao fato de que essa submissão não é esporádica, mas permanente. Todo aquele que deseja controlar a sua língua e fazer dela um instrumento de vida, deve sujeitar-se ao Espírito de Deus. O que você deseja?

Em Cristo Jesus,

Pr. Natanael Gonçalves