Ouvi, meus amados irmãos. Porventura, não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam? Mas vós desonrastes o pobre. Porventura, não vos oprimem os ricos e não vos arrastam aos tribunais? Porventura, não blasfemam eles o bom nome que sobre vós foi invocado? (Tiago 2:5-7).

Em um sermão pregado na Sinagoga de Nazaré, Jesus afirmou: O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres… (Lucas 4:18a). À primeira vista, alguém pode perguntar: Deus faz acepção de pessoas? Se não, por que Ele escolheu os pobres? Antes de responder essa pergunta, é necessário observar que a salvação é concedida ao homem somente pela graça. Se a salvação fosse baseada em méritos, não seria pela graça. Deus nos salva totalmente com base no sacrifício que Jesus fez na cruz, não em função de alguma coisa que somos ou que temos. Para Deus, judeus e gentios, senhores e escravos, pretos e brancos, ricos e pobres, são todos iguais.

O pastor Tiago ensina que graça de Deus transforma o homem rico em pobre, já que, com sua riqueza, não pode comprar a salvação nem os dons de Deus. Assim sendo, mesmo tendo possessões neste mundo e uma conta bancária poupuda, não pode depender dessa riqueza para obter aquilo que foi dado graciosamente pela obra da cruz. Por outro lado, a graça de Deus transforma o homem pobre em rico, pois lhe dá como herança a vida eterna e os bens que a acompanham. Destaco, entretanto, que o homem, independente de sua raça ou classe social, pode receber ou rejeitar a salvação, como presente de Deus.

Não obstante, o que se observa é que o rico, na sua grande maioria, é autossuficiente, soberbo e orgulhoso. Assim sendo, sua confiança, prazer, segurança e estilo de vida, estão centrados somente nos bens materiais e, por isso, acaba por desprezar as coisas espirituais. O pobre, no entanto, também na sua grande maioria, parece ter um coração mais aberto, pois diferentemente do rico, é humilde, despojado e dependente.

Do ponto de vista humano, Deus escolhe o pobre em vez do rico. “Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento; pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes” (1 Coríntios 1:26, 27). Em contrapartida, vemos Tiago dar um puxão de orelhas nos seus leitores, pois eles não estavam se comportando de acordo com a escolha de Deus. Estavam desonrando o pobre e honrando o rico, isto é, reverenciando aqueles que os oprimiam, em detrimento da vontade de Deus. Para resumir, Tiago não está contra os ricos, mas contra a filosofia deste mundo que valoriza a quem possui dinheiro e bens. Aqueles cristãos haviam aceitado esse modo de agir mundano. Estavam dando primazia ao rico transgressor e este conceito precisava urgentemente ser corrigido.

Momento de Reflexão: Após abordarmos o tema que Tiago ressalta, penso que devemos considerar algumas perguntas: Que peso ou valor atribuo aos bens materiais? Estou satisfeito com a vida?, ou busco obter mais  com vistas à minha autossatisfação? Quais são as minhas prioridades? Reflita e examine o seu coração.

Em Cristo,

Pr. Natanael Gonçalves